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Meu testemunho missionário em Rondônia

  • Secom
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Por Padre Ramom Henrique

Missionário em Rondônia pelo Projeto Igrejas Irmãs


Quando aceitei o chamado missionário para a diocese de Guajará-Mirim, em Rondônia, eu não imaginava com profundidade o que essa experiência representaria para minha vida sacerdotal e humana. Sair da minha Igreja de origem e colocar-me a serviço de outra realidade foi, desde o início, um exercício concreto de confiança em Deus e de disponibilidade missionária.


A missão em Rondônia me colocou diante de uma realidade geográfica desafiadora. As distâncias são longas, as estradas muitas vezes precárias e, em determinados períodos do ano, o acesso às comunidades se torna ainda mais difícil por causa das chuvas. Há comunidades que só conseguem receber a presença do padre uma vez por mês, o que exige um grande esforço de organização e, sobretudo, uma Igreja sustentada pela fé e pelo compromisso dos leigos.


Nas comunidades, encontrei um povo simples, acolhedor e profundamente religioso. A devoção popular é muito viva e sustenta a fé do povo mesmo na ausência frequente do sacerdote. Terços, novenas, festas dos padroeiros e celebrações da Palavra fazem parte do cotidiano dessas comunidades, e aprendi muito com a perseverança e a fidelidade desse povo.


Ao mesmo tempo, a missão revelou desafios pastorais importantes. Um dos que mais me marcou foi a forte polarização política presente no estado de Rondônia. Essa polarização atravessa famílias, comunidades e relações pessoais, chegando muitas vezes a influenciar a vivência da fé. Em alguns momentos, percebi como ideologias políticas tentam se misturar com a religião, criando divisões e dificultando a comunhão.


Como padre, isso me exigiu muito discernimento. Procurei manter uma postura de escuta, diálogo e neutralidade partidária, sem jamais abrir mão do anúncio do Evangelho. A missão me ensinou que a Igreja não pode ser instrumento de divisão, mas deve ser sempre espaço de encontro, reconciliação e unidade.


Outro grande aprendizado foi reconhecer a importância das lideranças leigas. Em muitas comunidades, são os leigos e leigas que sustentam a vida pastoral, organizam as celebrações e mantêm viva a fé do povo.


Ser missionário em Rondônia também me transformou profundamente. Aprendi a valorizar as pequenas coisas, a presença simples, a escuta atenta. A missão me ensinou que evangelizar não é apenas falar de Deus, mas deixar-se tocar pela realidade do outro.


Hoje, posso afirmar que essa experiência missionária ampliou meu olhar sobre a Igreja e sobre o sacerdócio. Em Rondônia, aprendi que ser padre é, antes de tudo, ser ponte, ser presença, ser sinal de esperança.

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