30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás
- Secom
- há 2 dias
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Vanalda Gomes Araujo*
A História do Pará é marcada pela luta e resistência dos trabalhadores por moradia e dignidade. No dia 17 de abril de 1996 aconteceu o mais sangrento massacre de trabalhadores rurais sem-terra do país, 19 trabalhadores são assassinados a mando do governador do estado, Almir Gabriel. Foi uma tarde triste entre Eldorado do Carajás e Curionópolis, onde 1.500 trabalhadores sem-terra estavam em marcha rumo à capital paraense para reivindicar junto ao governo a desapropriação da Fazenda Macaxeira, do qual a área reivindicada pelos trabalhadores era considerada uma área improdutiva. Depois de várias tentativas de negociação junto ao governo, os trabalhadores foram impedidos de seguirem até a capital do estado por uma operação policial na rodovia PA-150, próximo a Eldorado do Carajás, conhecida como "Curva do S."
No momento do ataque aos trabalhos sem-terra, 19 trabalhadores foram mortos, e no dia seguinte dois, dos que ficaram feridos, vieram à óbito, totalizando 21 trabalhadores mortos. No local onde aconteceu o massacre em Eldorado do Carajás, foi construído o monumento das Castanheiras mortas, representando os trabalhadores assassinados.

Na "Curva do S", todos os anos trabalhadores se reúnem para celebrar em memória dos trabalhadores que foram assassinados em 1996. Além das celebrações, acontece o Acampamento Pedagógico em memória ao jovem Josiel Alves, que era uma liderança jovem do MST, o acampamento reúne jovens e familiares de sobreviventes do massacre de Eldorado do Carajás. O acampamento também tem por objetivo resgatar a luta pela terra e pela reforma agrária na região do Sudeste Paraense.
O Sudeste Paraense é uma região marcada por conflitos agrários, que abriga centenas de assentamentos e acampamentos em áreas como Marabá, Parauapebas e Eldorado do Carajás. Infelizmente, no Sudeste Paraense há um número expressivo de fazendas devolutas, que são griladas por fazendeiros de outras regiões do país, principalmente da região Sul e Sudeste. A Fazenda Macaxeira, palco do massacre de Eldorado do Carajás, depois de muitas lutas e reivindicações junto ao INCRA, foi desapropriada e hoje é o Assentamento 17 de abril.
*Mestre em Dinâmica Territorial e Sociedade na Amazônia pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). E-mail: vanaldagomes@gmail.com.
Fotos: Vanalda Araújo.





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