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Ano Vocacional, a Igreja em oração pelas vocações



Jesus, o Bom Pastor, nos pede: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos, pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe.” (Mt 9, 36-38.)


Em cumprimento a esse mandado do Senhor, a Igreja no Brasil celebra o 3º Ano Vocacional. Uma oportunidade especial de elevarmos uma fervorosa súplica ao Dono da Messe que envie operários para a sua Igreja. O cuidado e a promoção de vocações é uma tarefa que deve envolver toda a Igreja.


Todas as vocações são antes de tudo fruto de uma oração insistente ao “Senhor da messe”. Nosso Papa Francisco nos diz com simplicidade: “Por trás e antes de cada vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada, há sempre a oração forte e intensa de alguém: uma avó, um avô, uma mãe, um pai, uma comunidade”.


“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos designei para irdes e dar frutos, e frutos duradouros.”

É preciso sempre considerar que a vocação é sobretudo um mistério de graça e de livre correspondência. Quem chama é Deus e não a nossa natureza com suas predisposições psicológicas, nem os homens com as suas necessidades. “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos designei para irdes e dar frutos, e frutos duradouros.” (Jo 15, 16.)


Portanto, o fundamento da eleição divina não é, em primeiro lugar, ter dons intelectuais brilhantes ou a riqueza de uma personalidade atraente, sem desprezar os dons que Deus coloca em nossa natureza. Vale o que disse São Paulo sobre a vocação de todo cristão: “Irmãos, considerem quem são os chamados: não há muitos sábios entre vocês. Humanamente falando, não há muitos poderosos nem nobres, pelo contrário, Deus escolheu o que o mundo considera tolo, para os sábios; o que o mundo considera fraco, para confundir os fortes, o que é vil e desprezível e o que não vale nada, para aniquilar o que vale. Assim, ninguém poderá gloriar-se diante de Deus.” (1Cor 1, 26-29)


Os que respondem ao chamado devem sempre recordar a afirmação do apóstolo: “carregamos este tesouro em vasos de barro, para que se veja claramente que este poder extraordinário não vem de nós, mas de Deus.” (2 Cor 4,7)


Diante de um imenso campo semeado e já pronto para a colheita, poucos são os trabalhadores, pois o chamado pode encontrar resistência pessoal ou do ambiente cultural que estamos inseridos. A semente da vocação pode cair à beira do caminho, ou em terreno raso que impeça de criar raízes; pode ser sufocada entre espinhos das seduções de uma vida estável e confortável; mas também pode cair em terreno fértil e produzir frutos abundantes (cf. Mt 13, 4-8.18-23).


Sem determinar totalmente nosso comportamento, o ambiente cultural que vivemos e respiramos, com seus valores e suas distorções, pode condicionar e influenciar a nossa capacidade de discernir e responder ao chamado de Deus. Em nosso tempo, o chamado do Senhor pode ser silenciado por um tipo de cultura que mantém a pessoa centrada e fechada em si mesma, dificultando sua abertura para o outro, de sair de si mesmo para responder aos apelos de Deus.


Em tempos de Sínodo, o Papa Francisco nos ensina que a vocação não pode ser entendida apenas em seu sentido restrito, ou seja, não somos chamados apenas pessoalmente para uma vocação. Toda vocação na Igreja, e, em sentido amplo na sociedade, contribui para o bem comum, fazendo ressoar entre os homens a harmonia dos tantos e diversos dons que só o Espírito Santo sabe realizar.


Toda vocação na Igreja, e, em sentido amplo na sociedade, contribui para o bem comum

É preciso, portanto, despertar essa consciência de que as vocações são um dom de Deus para a Igreja. Quando Deus escolhe, sem dúvida, agracia alguém com seu chamado, mas o escolhido não é o destinatário único e último dessa escolha, mas sim todo o povo de Deus, toda a Igreja, e em última análise, todos os homens.


É urgente despertar nas vocações a consciência sinodal, redescobrir a dimensão eclesial e comunitária do dom da vocação. Sacerdotes, Consagradas e fiéis leigos, caminhando e trabalhando juntos, na harmonia das adversidades, são sinal da humanidade chamada a sair de si mesma para espalhar a semente do Evangelho e contribuir para edificação de um mundo mais justo e mais fraterno.


Com todos os desafios do mundo presente, o Senhor nos incentiva a não desanimarmos na oração pelas vocações: “pedi e vos será dado, buscai e achareis, batei e a porta vos será aberta (...)” (Lc 11, 9.13).


Invoquemos com confiança e insistência a intercessão da Virgem Maria, para que, com o seu exemplo de aceitação do desígnio de Deus, desperte o coração do nosso povo para responder com alegria e generosidade o chamado do Dono da Messe.



Dom Evaldo Carvalho dos Santos, C.M

Bispo da diocese de Viana (MA)

Referencial para a Cáritas, CIMI e Pastoral da Sobriedade


Foto: Pascom diocese de Viana.

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