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Em nota, Bispos do Maranhão alertam sobre o crescimento dos conflitos agrários



No dia 11 de julho, mais um trabalhador rural foi vítima fatal dos conflitos do campo no Maranhão. Trata-se do camponês José Francisco de Sousa Araújo, o “Vanu”, de 41 anos, pai de cinco filhos, todos menores de idade. Consternados com mais um caso de violência e preocupados com a situação dos trabalhadores do campo, Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Caxias, Dom José Valdeci, bispo de Brejo, juntamente com Dom Sebastião Bandeira, bispo de Coroatá e presidente do Regional Nordeste 5 da CNBB, reuniram-se de modo virtual, e deste encontro, divulgam nota oficial. Confira:


Nota sobre a violência no campo no Estado do Maranhão


Reunidos, em modalidade virtual, nós, representantes das Dioceses de Brejo, Caxias e Coroatá juntamente com membros da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Maranhão, FETAEMA e da Comissão Pastoral da Terra, CPT, para tratarmos sobre o crescimento dos conflitos agrários na região, queremos expressar nosso profundo pesar pelo assassinato do camponês José Francisco de Sousa Araújo, o “Vanu”, de 41 anos, pai de 5 filhos menores de idade. A execução aconteceu na comunidade Palmeira do Norte, município de Codó, Diocese de Coroatá, o quarto assassinato neste semestre no Maranhão.


Aos seus familiares, a nossa comunhão neste momento tão doloroso e sofrido. Percebe-se que no contexto atual, cresce a violência no campo, com os conflitos que aumentam e o agronegócio agindo com mais força, expulsando comunidades tradicionais, destruindo matas e criando pânico. A liberação das armas e a impunidade facilitam ainda mais esta violência.


Somos convocados, pela força da nossa missão, fazer o que for possível, para:


- Acompanhar estes casos a fim de que sejam apurados os crimes e punidos os culpados; Esta, já é quarta pessoa vinculada à comunidade de Vergel que é assassinada e até hoje, os fatos não foram esclarecidos e resolvidos.


- Dar maior atenção às comunidades camponesas, perceber os seus conflitos e ajudar com a colaboração das diversas entidades a resistir e a lutar para que seus direitos sejam assegurados e garantidos.


- Junto com os povos da terra e das águas, ouvindo seus clamores, queremos convocar a sociedade civil, autoridades e instituições como INCRA e ITERMA para que priorizem com urgência as comunidades em conflitos, resolvendo o problema agrário através da titulação e regularização fundiária de suas posses.


- Exigimos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, SEMA, para que antes da concessão da licença ambiental, verifique a existência de povos e comunidades tradicionais no local, observando assim seus direitos constitucionais, humanos e sociais.


Não devemos nos acostumar com estas situações e ficarmos indiferentes, mas como bons samaritanos, façamos tudo que a nossa pessoa e a nossa Igreja podem oferecer para prevenir, combater e vencer tantos males que causam sofrimentos na vida do povo.


Certos de que “são felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque é deles o Reino dos Céus” (Mt.5,10), invocamos as bênçãos de Deus sobre todos que se comprometem pela causa da justiça e da paz em meio as populações que vivem no campo, em nosso estado.



Dom Sebastião Lima Duarte

Bispo Diocesano de Caxias-MA


Dom José Valdeci Santos Mendes

Bispo Diocesano de Brejo


Dom Sebastião Bandeira Coelho

Presidente

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