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Da Satisfação à Transformação: uma análise crítica da avaliação da XXII Assembleia Regional de Pastoral

  • Secom
  • 16 de jul.
  • 4 min de leitura

Entre os dias 9 e 12 de julho, o regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu-se para sua 22ª Assembleia Regional de Pastoral. Deste momento, participaram cerca de 100 delegados e delegadas representando suas dioceses, e suas diversas expressões missionárias, sendo composta por bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas que motivam a missão em nível de regional.


Ao final da Assembleia, um link avaliativo foi enviado a todos os participantes para que pudessem opinar sobre a dinâmica desta Assembleia. Com os dados obtidos, dom Gilberto Pastana, bispo presidente do Regional Nordeste 5, fez uma análise crítica. A seguir você acompanha na íntegra o que os dados revelaram.


Da Satisfação à Transformação: uma análise crítica da avaliação da XXII Assembleia Regional de Pastoral


A avaliação revela uma Assembleia Regional muito bem-sucedida do ponto de vista da organização, da participação e da percepção dos participantes. Entretanto, uma leitura crítica vai além dos índices de satisfação e procura identificar o que os dados revelam sobre a capacidade da Assembleia de produzir conversão pastoral, corresponsabilidade e implementação concreta do Plano Regional.


1. A avaliação demonstra elevada satisfação, mas satisfação não significa necessariamente transformação

Os indicadores apontam uma aprovação muito alta em praticamente todos os itens: organização; acolhida; infraestrutura; alimentação; metodologia; espiritualidade e conteúdo.


Da mesma forma, a autoavaliação mostra que aproximadamente 98,6% consideram sua participação boa, muito boa ou excelente, enquanto apenas uma pessoa afirmou ter tido pequena participação. Isso é extremamente positivo. Entretanto, existe um risco clássico nas avaliações institucionais: medir apenas a experiência vivida durante o evento.


Uma assembleia pode ser excelente enquanto acontece e, ainda assim, produzir pouco impacto pastoral depois. A pergunta fundamental deveria ser: O que mudará na vida das dioceses por causa desta Assembleia? Essa resposta não pode ser dada apenas pela satisfação dos participantes.


2. A pesquisa conseguiu medir o evento, mas mede pouco a implementação

A avaliação dedica dezenas de questões à organização do encontro: hospedagem; alimentação; material; infraestrutura; comunicação; pontualidade. Tudo isso é importante.


Entretanto, são poucas as perguntas que realmente avaliam: mudança de mentalidade; conversão pastoral; capacidade de liderança; apropriação do Plano Regional e compromisso missionário.


Na prática, a pesquisa mede muito bem "como foi a Assembleia", mas mede menos "o que a Assembleia produziu".


3. O ponto mais forte foi a comunhão eclesial

Ao longo da apresentação percebe-se que os participantes valorizam especialmente: convivência; espiritualidade; conversação no Espírito; trabalho em grupos e integração entre dioceses.


Isso indica que a Assembleia conseguiu realizar algo muito importante para uma Igreja sinodal: não apenas transmitir conteúdos, mas fortalecer relações. Esse talvez seja o maior patrimônio produzido.


Numa Igreja frequentemente marcada pelo isolamento entre dioceses, a comunhão construída durante a Assembleia possui enorme valor pastoral.


4. A metodologia parece ter sido um grande acerto

A presença da Conversação no Espírito, dos grupos e das plenárias mostra uma mudança metodológica importante. Em vez de uma assembleia baseada apenas em palestras, buscou-se uma participação efetiva. Isso está plenamente em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade. Entretanto, permanece uma pergunta:


A conversação influenciou efetivamente as decisões ou foi percebida apenas como um momento agradável? Essa diferença é decisiva. Escutar não basta. É necessário que as pessoas percebam que aquilo que disseram apareceu no Plano.


5. Existe um dado que merece atenção

Na autoavaliação sobre conseguir expressar opiniões: cerca de 42,5% disseram "sempre"; 38,4% "na maior parte" e aproximadamente 19% responderam "pouco", "às vezes" ou "não consegui".


Embora o resultado geral seja positivo, quase um quinto dos participantes não percebeu plena liberdade para participar. Em uma assembleia sinodal, isso merece atenção. Talvez não seja um problema metodológico. Pode ser cultural.


Alguns participantes ainda possuem dificuldade para falar diante de bispos, padres ou especialistas. Outros talvez não tenham percebido que sua contribuição era realmente importante.


6. O maior desafio começa depois da Assembleia

As perguntas finais são, provavelmente, as mais importantes de toda a pesquisa. Especialmente: Qual compromisso concreto você assume?


Essa pergunta desloca o foco da avaliação para a missão. Entretanto, ela ainda depende da intenção declarada. Será necessário acompanhar posteriormente: quais dioceses realmente apresentaram o Plano; quais elaboraram seus planos locais; quais iniciaram processos formativos; quais prioridades começaram a ser implementadas.


Sem esse acompanhamento, a avaliação mede compromisso declarado, não compromisso realizado.


7. A pesquisa mostra um Regional amadurecido

Comparando a estrutura desta avaliação com muitas avaliações eclesiais, percebe-se um amadurecimento institucional.


Ela avalia: logística; conteúdo; metodologia; espiritualidade; resultados; autoavaliação; questões abertas; compromisso final.


Esse desenho é muito consistente. Já não se pergunta apenas "gostou ou não gostou". Há preocupação em avaliar processos. Isso revela uma cultura de planejamento pastoral cada vez mais sólida.


8. Ainda faltam indicadores de impacto pastoral

Uma próxima avaliação poderia incluir perguntas como: Você compreendeu claramente sua responsabilidade na execução do Plano? Sua Diocese já definiu quem acompanhará sua implementação? Que obstáculos você prevê? Que recursos sua Diocese possui? Em quanto tempo pretende apresentar o Plano ao Conselho Diocesano? Quais prioridades serão iniciadas primeiro? Essas perguntas aproximariam a avaliação do acompanhamento pastoral.


9. A riqueza das questões abertas ainda pode ser melhor explorada

A apresentação mostra muitas respostas abertas. Entretanto, elas aparecem apenas em forma de nuvens ou listagens. Seria muito útil produzir uma análise qualitativa identificando grandes categorias, por exemplo:

O que mais marcou: espiritualidade; comunhão; escuta; fraternidade e planejamento.

O que precisa melhorar: gestão do tempo; objetividade; maior participação e aprofundamento dos debates.

Compromissos assumidos: apresentar o Plano; formar lideranças; fortalecer os Conselhos e divulgar as prioridades. Essa análise temática permitiria compreender muito melhor os sentimentos e expectativas dos participantes.


10. O verdadeiro sucesso será conhecido daqui a um ou dois anos

A Assembleia foi muito bem avaliada. Isso é motivo de gratidão. Mas a pergunta decisiva permanece aberta: O Plano Regional conseguirá transformar a vida pastoral das dioceses?


A resposta não será encontrada nas notas atribuídas ao evento, mas na capacidade de cada Igreja particular de incorporar as prioridades, reorganizar seus processos de evangelização e fortalecer a comunhão missionária.


Nesse sentido, a Assembleia não deve ser considerada um ponto de chegada, mas o início de um novo ciclo pastoral. Seu verdadeiro êxito será medido quando as dioceses demonstrarem, por meio de iniciativas concretas, que o Plano Regional deixou de ser apenas um documento e tornou-se critério de discernimento, planejamento e ação missionária. A avaliação evidencia, portanto, um Regional Nordeste 5 organizado, participativo e sinodal; o desafio agora é passar da satisfação à conversão pastoral, do consenso à corresponsabilidade e da Assembleia à implementação efetiva do Plano Regional.


Dom Gilberto Pastana

Presidente do Regional NE 5

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