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Conversão: uma necessidade para quem quer seguir a Cristo

 

Em sua acepção diferenciada e articulada a palavra conversão - que em hebraico significa tesubah, em grego metanoein/metanoia e em latim convertere – implica necessariamente em mudança radical de mentalidade e de vida, transformação, arrependimento, alteração do caminho. No contexto religioso, essa modificação indica a dimensão íntima da pessoa, amadurecendo na docilidade o convite para chegar ao “coração”, escolher a vida, reajustar e refazer as estruturas pessoais, solidárias e cósmicas, na fidelidade às exigências da própria pertença a Deus. Designa a mentalidade do ser humano desejoso de afastar-se do mal, esforçando-se para fazer sempre o bem.


A conversão cristã é um evento salvífico cujas expressões a palavra ilumina e esclarece oferecendo critérios para avaliá-la na verdade. A conversão é a mais admirável transformação que o Espírito Santo, que vivifica a Igreja, opera no íntimo das pessoas por meio de seus impulsos interiores, os sacramentos e toda a ação da comunidade eclesial missionária.


Os efeitos predominantes no convertido(a) são de caráter salvífico, são percebidos na palavra da fé que os identifica, antes e mais do que em seus reflexos psicológicos. A comunidade eclesial missionária, da qual, por ela, passa-se a fazer parte, qualifica e orienta suas manifestações, confirmando sua autenticidade com os critérios específicos de que dispõe.


"A conversão é a mais admirável transformação que o Espírito Santo, que vivifica a Igreja, opera no íntimo das pessoas por meio de seus impulsos interiores, os sacramentos e toda a ação da comunidade eclesial missionária".

Diversas são as histórias de conversão do povo hebreu cheia de infidelidades a Javé, infidelidades individuais que os livros históricos trazem com deploráveis exemplos, infidelidades coletivas que serão a causa da ruína da casa de Israel e contra as quais o profeta Ezequiel dirige um apelo implacável. Pondo em causa a responsabilidade pessoal dos indivíduos, os profetas apelam com insistência para a conversão de cada um, mas bem antes ainda a conversão de todo o povo de Israel. Recordando que o arrependimento, fonte de uma vida nova para a alma, é agradável a Javé, os profetas insistem na misericórdia infinita do Criador, que não sente prazer com a morte do pecador, mas com a conversão, fonte de sua salvação. Essa salvação não é restrita ao povo de Israel, mas se refere à humanidade em seu conjunto, chamada também ela à conversão, da qual Tobias ao morrer diz a seu filho que será universal: “Todas as nações da terra inteira, todos se converterão e temerão a Deus verdadeiramente” (Tb 14,6).


A pregação de João Batista é essencialmente um apelo ao arrependimento, a conversão ocupa um lugar importante no ensinamento de Jesus e as três parábolas da misericórdia - da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo - destacam de modo particular sua importância, mas o arrependimento que permite obter a remissão dos pecados deve levar à mudança de vida. É o que esclarece Paulo de forma excelente na defesa que apresenta diante do rei Agripa, falando da missão junto às nações pagãs recebida de Cristo, ele recorda os dois elementos constitutivos da conversão: “Anunciei que tinham de se converter e voltar para Deus, praticando obras dignas da conversão” (At 26,20). Por não mudar radicalmente de vida, isto é, desviar da entrada que passa pela porta estreita, a conversão torna-se falsa, ilusória e vã.


"A conversão autêntica, faz passar a alma das trevas para a luz, ela é como um novo nascimento, o do homem novo 'criado segundo Deus na justiça e na santidade da verdade”'.

A conversão autêntica, faz passar a alma das trevas para a luz, ela é como um novo nascimento, o do homem novo “criado segundo Deus na justiça e na santidade da verdade”. A parábola do bom Pastor que “veio para que se tenha a vida e se a tenha em abundância” (Jo 10,10) ilustra a universalidade do apelo divino à conversão. “Deus nosso Salvador... quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.”


Dom Gilberto Pastana

arcebispo de São Luís do Maranhão

Presidente do Regional Nordeste 5 da CNBB.

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