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A paróquia como meio de comunicação para a cultura do encontro


"Mais do que querer as nossas paróquias 'na mídia', devemos querer e fazer com que nossas paróquias sejam mídia". Foto: contemamor

Este texto é um convite à reflexão sobre como estamos pensando a comunicação em nossas paróquias. Pois, muitas vezes nos deixamos seduzir pelas tecnologias de mediação da comunicação disponíveis, sobretudo, neste tempo, as digitais, e concentramos nossas ações em produção de conteúdos para as redes sociais vislumbrando o maior engajamento possível. Aprendemos novas ferramentas de produção e edição de imagem, de áudio e de vídeo e vamos “profissionalizando” nossa prática comunicativa, sempre em busca de melhores índices de audiência para nossos canais e perfis.


Nesse contexto, devemos nos perguntar o que interessa mais: o alcance da comunicação que fazemos nas redes sociais digitais ou a promoção do desejo de encontrar os outros, a criação de pontos de contato, enfim, a comunhão?


Responder essa pergunta pode ser inquietante. Contudo, um caminho de resposta possível passa pela compreensão de que o papel da Pastoral da Comunicação na Igreja não é o de promover uma paróquia midiática, mas sim o de ajudar a construir uma paróquia mídia.


Paróquia, lugar de interação.


O Código de Direito Canônico da Igreja Católica, define como Paróquia “uma determinada comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular e seu cuidado é confiado ao pároco, como seu pastor próprio, sob a autoridade do bispo diocesano”. Veja que na própria definição há um sentido de comunhão muito forte. É a “comum+unidade” dos fiéis. Logo, a paróquia deve ser o lugar do pertencimento, não apenas da circunscrição territorial, mas principalmente dos laços sociais daqueles que a habitam ou nela se estabelecem.


A paróquia deve ser o lugar do pertencimento, não apenas da circunscrição territorial

E para que se constituam laços é necessário que os sujeitos interajam e nessa interação afetem-se mutuamente em processos comunicacionais visando promover o bem comum. Essa afetação tem uma perspectiva relacional, segundo a qual a maneira como vivemos e refletimos a cultura é influenciada pelas nossas condições de vida comum, neste caso, pela vida paroquial. Nesse sentido, a vida paroquial é uma experiência tanto física – no sentido da ocupação dos espaços – quanto subjetiva – na perspectiva das relações.


Logo, a paróquia é lugar de interação, é ponto de conexão tal qual a mídia.


Mídia como meio de comunicar.


O conceito de mídia é tão comum quanto complexo. Comum porque é fartamente associado ao conjunto dos meios de comunicação massivos como a internet, o rádio, a televisão, os jornais e etc. Complexo porque não pode ser simplesmente confundido com veículos, instituições, instrumentos ou indústria de comunicação.


Sem nos determos nessa seara da definição, queremos adotar o sentido de mídia como um meio de comunicar, ultrapassando os limites impostos pelos recursos tecnológicos de produção, transmissão e circulação de mensagens. Compreendendo a mídia nesse sentido amplo de lugar de interação, de troca simbólica, de contato, de acesso, de experiência, de encontro.


Essa é a comunicação midiática que devemos pensar e desenvolver no âmbito da Igreja. Mais do que querer as nossas paróquias “na mídia”, devemos querer e fazer com que nossas paróquias sejam mídia.


Paróquia Mídia para a cultura do encontro.


A ideia de paróquia mídia é uma analogia aos estudos de comunicação que consideram a cidade como meio de comunicação. Nesses estudos, os espaços urbanos são vistos como suportes para a troca de mensagens entre os cidadãos ao mesmo passo em que essa interação colabora para a construção e reconstrução das formas urbanas, no que podemos chamar de uma trama de relações cotidianas.


São as ações entre as pessoas que dão sentido de mídia à paróquia.

É nessa esteira da interação que refletimos aqui a paróquia mídia. Os laços de comum+unidade entre os fiéis encontram na própria paróquia o meio de comunicação, o ponto de contato tão necessário à cultura do encontro proposta pelo Papa Francisco. Se compreendermos isso, passamos a desenvolver nossas ações de comunicação a partir da paróquia, das suas características e particularidades, das suas limitações, das suas potencialidades, tendo as relações nela estabelecidas como parâmetro e não simplesmente adotando métricas frias desenvolvidas por algoritmos das redes sociais digitais.


A paróquia mídia deve ser um campo aberto à comunicação, sua razão por excelência deve ser possibilitar a interação entre os paroquianos, porque são as ações entre as pessoas que dão sentido de mídia à paróquia.


Por Carlos Benalves

Professor do Departamento de Comunicação Social da UFMA.


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