Vocação: um chamado para servir

Atualizado: Set 19


Dom José Valdeci Santos Mendes

Bispo da Diocese de Brejo

Mês Vocacional 2020

A pessoa humana sob uma perspectiva religiosa é dotada de sabedoria pela graça de Deus. Ela recebe o dom do discernimento que a torna apta para fazer escolhas segundo os critérios divinos, “Eu te propus a vida ou a morte, a benção ou a maldição. Escolhe, pois a vida para que vivas tu e tua descendência” (Dt 30,19). Portanto, podemos afirmar que o nosso primeiro chamado é ao cuidado para com a vida, que deve ser zelada e jamais desvalorizada. Somado à estima pela vida, dom de Deus, revela-se a vocação universal de todo ser humano, que é a santidade.


A nossa resposta ao chamado de Deus deve ser motivada pela disponibilidade para o serviço, tendo como modelo por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Somos convidados a viver tendo Deus como fundamento e centro da nossa existência, como bem assinala Pedro na sua primeira carta “...Sede Santos, porque eu sou santo” (1Pd 1,16). Entretanto, não podemos perder de vista, que realizar a vontade do Pai exige uma constante conversão do coração numa busca contínua de responder aos apelos mais profundos que Ele mesmo suscita no ser humano e que exige um autêntico encontro com Cristo.

A nossa resposta ao chamado de Deus deve ser motivada pela disponibilidade para o serviço, tendo como modelo por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo. Toda sua vida foi para realizar a vontade de Deus, se dispondo a servir até às últimas consequências. “Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos “(Mc 10,45). Este testemunho de serviço e doação nos leva a um compromisso para com nossos irmãos e irmãs. O chamado de Deus para nós acontece a partir de um contexto, de uma realidade que nos interpela, de situações que pedem o nosso empenho e testemunho.

Para seguir Jesus Cristo, devemos nos deixar guiar pelo Espírito de Deus, sem ele nos perdemos, não sabemos nem mesmo o que pedir, como firma São Paulo, “não sabemos o que pedir como convém” (Rm 8,26). Neste sentido, entendemos que o seguimento verdadeiro pressupõe uma espiritualidade bíblica, que perpassa toda história da salvação, revelando-nos o modo como Deus quis precisar de tantos homens e mulheres ao longo da história e como eles foram dóceis às inspirações do seu Espírito.

Nosso Senhor Jesus Cristo no evangelho de São Lucas, demonstra a ação do Espírito de Deus que conduz a missão e para a missão. Somos seguidores e seguidoras de Nosso Senhor Jesus Cristo, por isso, temos a certeza que o mesmo Espírito que o fortaleceu a sua caminhada permanece a nos ajudar no caminhar de discípulos e discípulas no seu seguimento.


“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres: enviou-me para proclamar a libertação dos presos aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor.”(Lc 4,18- 19). É esse Espírito que nos fortalece para o compromisso com Reino de Deus.


A vocação compreendida enquanto ser em função do Reino de Deus, é vivida no seio do mistério da Igreja, fundada por Cristo e formada por homens e mulheres.

Somos chamados e chamadas através do nosso batismo à comunhão com o Senhor, servindo nossos irmãos e irmãs, expressando assim, a concretização da nossa vocação cristã. Porém, é valido sublinhar que: “para apascentar e aumentar sempre o Povo de Deus, Cristo Senhor instituiu na sua Igreja uma variedade de ministérios que tendem para o bem de todo o corpo. Pois os ministros que são revestidos do sagrado poder servem a seus irmãos para que todos que os formam o povo de Deus e, portanto, gozam de verdadeira dignidade cristã, aspirando livre e ordenadamente ao mesmo fim, cheguem à salvação ” (LG nº 18).




A vocação compreendida enquanto ser em função do Reino de Deus, é vivida no seio do mistério da Igreja, fundada por Cristo e formada por homens e mulheres. É na constituição da Igreja que desabrocham as vocações, tanto as específicas quanto as laicais, e todas encontram sua unidade e fundamento no Espírito Santo, como aponta São Paulo “Ora, há diversos dons, mas o mesmo Espírito” (1Cor 12, 4).

Na vida consagrada, composta por homens e mulheres que procuram no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo vivenciar os conselhos evangélicos, nos é lembrada a dimensão do despojamento, do deixar tudo pelo Reino de Deus. Neste sentindo, o Concilio Vaticano II afirma, que: “o seguimento de Cristo proposto no Evangelho, norma última da vida religiosa, seja para todos os institutos a regra suprema! (PC nº 2).


Por sua vez, os ministérios ordenados têm como missão especial: ensinar, santificar e governar, ou seja, ajudar os fiéis a caminhar à luz da missão de Jesus Cristo, o Bom Pastor. Cada vocação em seu modo e jeito de ser nos revelam uma faceta do rosto de Cristo, vocacionado do Pai, que nos convida a fazer do Evangelho a nossa norma de vida.

Independentemente da vocação e estado de vida, enquanto cristãos, somos chamados a assemelhar a nossa vida, a vida de Cristo, obediente à vontade do Pai até às últimas consequências, como prova de fidelidade incondicional.

Os leigos e leigas à luz da afirmação de Jesus “Vós sois o sal terra... vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14) são convidados a tornarem conhecido o rosto de Cristo no seio da sociedade em que vivem, a testemunharem o amor de Deus no comprometimento de toda a sua a vida na luta por um mundo mais justo, fraterno e igualitário, prezando pela dignidade da pessoa humana criada a imagem e semelhança de Deus.

Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, roguemos a Deus que nos conceda a graça de caminhar na fidelidade aos seus planos e aos irmãos e irmãs, sem nunca perder de vista o compromisso de testemunhar a unidade, sendo Igreja “Povo de Deus” como nos ensina o Concílio Vaticano II. Que o mês vocacional com o tema: “Amados e chamados por Deus” nos ajude a viver a nossa vocação de discípulos e discípulas de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Que Deus vos abençoe e vos proteja, saúde e paz!

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