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Dorothy, semente viva na Amazônia




Por Vanalda Gomes Araújo*


O dia 12 de fevereiro de 2005, na Cidade de Anapu, no sudoeste paraense, ficou marcado pelo assassinato de Irmã Dorothy Stang. Uma freira americana naturalizada brasileira que chega ao Brasil em 1966, para trabalhar como missionária na Cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão, e posteriormente em 1970, muda-se para o Estado do Pará, para a Cidade de Anapu. Irmã Dorothy, vai trabalhar com as comunidades eclesiais de base, principalmente com os trabalhadores(as).


Ela lutou para garantir uma produção sustentável de qualidade como forma de sobrevivência dos trabalhadores.

Durante a sua trajetória, Irmã Dorothy sempre se dedicou à defesa dos mais vulneráveis. A bandeira de luta era a luta pela terra, preservação da floresta em pé e a garantia do direito à terra para os trabalhadores(as) rurais dos assentamentos do qual ela lutou para garantir uma produção sustentável de qualidade como forma de sobrevivência dos trabalhadores. Dorothy sempre lutou para recuperação de terras degradadas e reflorestamento em áreas onde os latifundiários foram abandonados. Dorothy, apesar de ser covardemente silenciada, ainda ecoa no coração da floresta e de seus defensores, sua força se mantém viva, continua presente na luta do povo por terra e por direito de viver.


Dezenove anos após sua trágica partida, percebe-se que os conflitos continuam. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), os assassinatos continuam em Anapu, 23 pessoas foram mortas de 2019 a 2022. Nota-se, que as mortes ainda são uma realidade que ameaça as lideranças do movimento sem-terra e trabalhadores rurais, percebe-se que a forma de agir dos últimos assassinatos vem mudando, no que parece ter como intuito de descaracterizar as execuções: não assassinar mais ativistas e defensores dos direitos humanos no campo, mas sim em vias públicas para não serem mais configurados como conflitos por terra e sim como crimes comuns.


Túmulo de Irmã Dorothy.
“Não vou fugir nem abandonar a luta desses agricultores desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.”
Dorothy Stang

A Amazônia Legal é um espaço de disputa, os conflitos tornaram-se comuns numa região tomada por latifúndios, grileiros e os invasores de terras públicas. O que levou ao assassinato de Dorothy foi o descontentamento dos latifundiários da região de Anapu por serem denunciados por invasão de terra naquela região.


Dorothy foi assassinada, mas seu legado continua vivo na luta do povo por justiça, pelo direito de plantar e colher com dignidade. Uma produção saudável onde o trabalhador(a) se sente como parte do processo histórico na luta pela terra, onde não existam mais males, onde não exista ganância e onde todos se reconhecem como irmãos.


Todos os dias surgem outras Dorothy’s, homens e mulheres, defensores da floresta, que lutam contra a grilagem, agronegócio, mineração em comunidades tradicionais.


Dorothys presente, presente.

 

*Educadora popular, ativista e pesquisadora. Mestra em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia; pesquisa povos indígenas, comunidades tradicionais e conflitos Territoriais

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