Bispos do Maranhão se reúnem para falar de Amazônia



Bispos e assessores em reunião / Imagem: REPAM-Brasil

REPAM - Na terça-feira 25 de agosto, os bispos do Igreja no Maranhão estiveram reunidos, por meio de plataforma virtual, em assembleia para partilhar a caminhada de operacionalização do Sínodo para a Amazônia em suas Igrejas particulares. A proposta, motivada pela Comissão Episcopal Especial para a Amazônia/CEA da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB e Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, é que o episcopado da Amazônia brasileira se reúna para partilhar, avaliar, discernir e pensar ações concretas de efetivação do processo sinodal a partir das propostas do Documento Final do Sínodo e da Exortação Querida Amazônia.


De acordo com a proposta desenhada por uma comissão convocada pela CEA e REPAM, cada regional tenha autonomia para convidar ou convocar os participantes da assembleia, respeitando a realidade local, garantindo sempre a sistematização das partilhas e encaminhamentos para gerar um documento que pode ser partilhado entre os regionais que poderá servir de inspiração para outras Igrejas particulares, organizações e instituições, além de oferecer uma síntese para toda Igreja sobre nosso compromisso com os novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral.


Dom Erwin Krautler, bispo emérito do Xingu, vice-presidente da REPAM-Brasil e membro da CEA, iniciou a assembleia com uma memória do caminho sinodal, desde o pedido dos bispos ao papa pelo Sínodo até a publicação da exortação Querida Amazônia. Ele destacou a importância do processo de avaliação da caminhada após a realização da assembleia de Roma. “Avaliarmos o que foi feito e discernirmos, dentro da atual realidade, quais as possibilidades de realizarmos o desejo do Sínodo”, pontuou Dom Erwin sobre a proposta do encontro virtual com o episcopado do Maranhão.

O Sínodo na Igreja no Maranhão


Com a presença de quase todos os bispos do Regional Nordeste 5, a partilha do caminho sinodal no território do Maranhão apresentou a força da implementação das ações vindas do Sínodo para a Amazônia. “Em novembro do ano passado foi feita a assembleia diocesana, ainda com o Documento Final, e decidiu-se por investir na formação do laicato e formar uma comissão diocesana com a presença de padres, religiosos e leigos para mobilizar as lideranças leigas”, destacou Dom João Kot, bispo de Zé Doca, ao relatar as ações logo após a finalização da assembleia em Roma.


Na diocese de Coroatá, Dom Sebastião Bandeira partilhou a criação da Pastoral Afro, como uma das ações concretas a partir das indicações do Sínodo. Segundo ele, uma necessidade local levando-se em conta a identidade das populações tradicionais presentes na diocese. Em Bacabal, segundo Dom Armando Gutierrez, o fortalecimento da Pastoral Afro também foi uma das ações que surgiram após a partilha do Documento Final do Sínodo na assembleia de novembro do ano passado. A Pastoral da Ecologia Integral foi outra iniciativa da Igreja de Balsas como resposta ao Sínodo.


De acordo com as partilhas do episcopado do Maranhão, o Documento Final e a Exortação Querida Amazônia foram inspiradores na elaboração dos planos pastorais. “Na assembleia realizada no segundo final de semana de novembro de 2019, foi trabalhado o Documento Final do Sínodo que entrou no plano pastoral da diocese”, afirmou Dom Sebastião Duarte, bispo de Caxias. Na Igreja de Grajaú, segundo Dom Rubival Britto, os documentos do Sínodo incidiram sobre o planejamento da diocese para os próximos quatro anos, com destaque para a Pastoral Indigenista e aproximação com as comunidades tradicionais. Dom Evaldo Carvalho, bispo de Viana, afirmou que o plano pastoral diocesano, pensado para os próximos três anos, também contempla algumas questões apontadas pelo Documento Final do Sínodo.


Formações dos padres, leigos, leigas, religiosos, religiosas e seminaristas também foram realizadas ao longo dos últimos meses a partir dos documentos do Sínodo. Dom Belisário da Silva, bispo de São Luís, partilhou que já teve a oportunidade de falar dos materiais em diversos espaços. Em Imperatriz, segundo Dom Vilson, a formação segue sendo realizada e, agora por causa da pandemia, de forma virtual. Dom Sebastião Bandeira e Dom Rubival Britto fizeram o repasse dos documentos para o clero jovem das dioceses. Dom Armando Gutierrez, que já estudou com os seminaristas o Documento Final, agora trabalha com eles a exortação Querida Amazônia. Em Balsas, segundo Pe. Nadir, administrador diocesano, a rádio foi um espaço de divulgação e formação sobre os documentos sinodais.

O caminho sinodal em tempos de pandemia


Mesmo diante da pandemia, as diferentes dioceses do estado seguiram colocando em prática os apelos presentes no Documento Final e na exortação Querida Amazônia. “A aproximação com os povos indígenas é irreversível e com a pandemia nos aproximamos ainda mais”, afirmou Dom Vilson Basso. Segundo ele, o caminho de aproximação com os povos indígenas presentes na diocese, iniciado ainda no período das escutas sinodais, tem se estreitado nesse tempo de pandemia, o que já estava presente no projeto diocesano que segue até 2023.


Algumas dioceses do regional conseguiram migrar algumas ações de implementação do Sínodo do presencial para o ambiente virtual, minimizando os impactos da pandemia. Formações, reuniões, encontros e lives foram as alternativas encontradas para serem realizadas via internet de forma a não comprometer os planejamentos diocesanos. “Muitas lives foram realizadas nesse período de pandemia, formação na perspectiva de catequese, ministros da palavra. Muitos encontros online incentivando as pessoas para o compromisso com a Amazônia”, destacou Pe. Nadir sobre a realidade de Balsas.


Na diocese de Grajaú, o isolamento, contudo, tem dificultado avançar. Entretanto, algumas rodas de conversas e atividades, seguindo os protocolos de saúde, têm conseguido aproximar a Igreja das aldeias do território, com uma escuta específica com as lideranças. “Essa aproximação tem contribuído nas ações de intervenção e mobilização do poder público para o cuidado com as populações indígenas”, afirmou Dom Rubival que tem visto a Pastoral indigenista sendo fortalecida e muitos apoios institucionais surgindo para favorecer as ajudas nesse tempo de emergência. Ainda, segundo Dom Rubival, durante esse período da pandemia, a pastoral tem servido com um laboratório para se pensar ações em vista dos direitos humanos e defesa da vida nos territórios.


A proposta da Comissão para a Amazônia e da REPAM-Brasil é que os demais regionais da região também realizem assembleias como essa para avaliar e discernir caminhos de tornar efetivas as propostas do Sínodo para a Amazônia. A pedido da presidência da CEA, os regionais estão se organizando para efetivar as reuniões dos bispos. Depois que todos os regionais se encontrarem, pretende-se realizar um encontro virtual de todos os bispos da Amazônia brasileira.



Publicado originalmente no site da REPAM-Brasil em 28 de agosto.

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